Praia!

Lobita e sua prole vão à praia.
Apesar dos hábitos noturnos e de repentinos desentendimentos dinâmicos com a família (sim, nossos relógios funcionam diferentes) Vamos à praia.
Satisfazer as crianças. Complacer os adultos. Chorar na beira do mar.
Dar sossego aos ouvidos, aos olhos, mas nunca ao coração.
Meu coração não se cansa de buscas, por sofrimentos existeciais, por crises efêmereas.
Estou em busca de pequenas epifanias…
Estou encontrando grandes anarquias. Deve fazer parte do processo terapêutico.
Que como bem dizia um antigo professor:

“O processo terapêutico é como cuspir em uma colher, e voltar a sorvê-lo, é nojento, mas saiu de dentro de ti”

Bactérias

Já transei no primeiro encontro!

Muito antes dele também.

Sempre com prazer, sempre com camisinha.

Pudores e regras que vêm de fora pra dentro servem apenas para fazer uma “carapaça” e demonstrar para o impositor externo das regras que: “sim, elas estão sendo cumpridas”. E lá no fundo esconder nada mais do que uma auto-estima inexistente, uma fragilidade pessoal e valores que não são suficientemente densos para guiar a própria vida.

A alma (que também eu, ouso chamar de psiquê) é que te dá bom senso para resolver os caminhos a serem seguidos. A escolha do caminho é responsabilidade individual, que fique claro.

Avós antigas, e nem tão antigas falam em “preservar-se”. Pergunto: “Preservar-se de que coisas?” Não obtenho resposta. Vivemos em uma época tão distante daquela em que sexo era tabu, e ele o segue sendo.

Para mães, para filhas, netas e avós. Tudo muito sujo, tudo muito feio.

Tudo o que envolve sexo… Vivemos NO mundo, NA sociedade, NA família, mas PARA nós mesmos. Às vezes temos tudo, e nos falta apenas sexo, por que não ter sexo por sexo… Uma troca de carícias, um carinho físico e real? E SÓ?

Não que seja suficiente, veja bem, também acho que é bom ter amor e sexo juntos. Mas eu não preciso justificar isso.

Troca de bactérias, germes, fungos, micróbios, em salivas viscosas, hálitos distintos, sabores doces ou acres, azedos, cerveja, pastilha Valda, whisky, cigarro.

A mesma boca que beija na boca, beija no pau, e lambe, beija a buceta e lambe…

Depôs do tesão as bactérias foram desbancadas!

Dolores

Dolores não quer mais ser só.
Dolores, na verdade nunca foi sozinha, mas estava em crise, hoje justamente quando a lua estava tão cheia.
Ligou pra ele, aliás, era esse o trato, eles se ligariam de vez em quando e sempre atenderiam seus chamados. Mas, desta vez, ele não atendeu, não entendeu e não respondeu.
Dolores estava um pouco só, é certo…
Mas ele estava ainda completamente sozinho. Entre os demais. Tinha uma peça quebrada, um laço rompido, uma família sofrendo.
Dolores quis ajudar, mas agora já era tarde.

Meu sexo me mata

Sei lá, acordei assim. Há dias em acontece, sempre quando acordo. E desde a hora em que acordo até a hora em que vou dormir. Nas coisas mais simples, lá vem ele.
É pra te conquistar, é pra te abandonar, é pra te abraçar. Ele é motivo pra te esperar, pra acatar, pra deitar, ou levantar. E tomo café, olho pela janela, e imagino fantasias, das boas, das pervertidas. Nada de fantasiazinhas bobas, de avião, elevador, escada… Não, sexo muito do refinado, com fantasias sadomasoquistas, amarras…
Fundo musical, tudo, tudo traz sexo, cheiro de sexo, gosto de sexo. Chupar um Halls preto, e lá vem ele de novo, tomar um mate, vestir uma calcinha de fitinhas… Telefone, álcool.
E eu já nem sei mais por onde tenho andado… Mas a andança e a imaginação são grandes.
Encho então minha vida de coisas sexuais.
Sim, o mundo se divide entre:
Coisas sexuais: Café, cigarro, álcool, vermelho, sapato de salto alto, maquiagem, espelho, chocolate, vinho…
Coisas vegetais: Alface, moranga, sopa desentoxicante, suco de caju, azul claro, tênis…
Coisas espirituais: Todo o resto. E tudo o que não se pode entender e nem provoca interação.
Minha vida se enche de café. Xícaras, baldes, montes. Perfume. Saltos, altos e fálicos. Pose, sexo. Todo o dia, toda a noite, toda hora, sempre.
Sexo em barulhinho de xixi, sexo em cara remelenta escovando os dentes, sexo em camiseta recortada de dormir, sexo em camadas, aos goles, aos pedaços, sexo enlatado, plastificado. Nos meus seis sentidos. Em tudo. Notícias, Globo esporte, Novela das nove.
Masturbação? Não, nem pense… Já abusei dela, ficarei com espinhas, e nascerão pelos nas minhas mãos.