Nome igual.


O estilo era diferente. Olhos que brilhavam. Nada, a seu respeito eu sabia quase nada. A arte, sim, eu via, e ela me tocava. Mas o problema era ele. Eu estava com vontade que ele me tocasse. Que me tocasse fundo, e forte, e quente. E que fizesse tudo aquilo que a tecnologia andava atrapalhando. Sonhava com ele e com a imensidão do cabelo. E boca, e o desejo de pele, “mais pele”. Ele me tinha às vezes encantada, e algumas vezes nada. Era sexo, mas desta vez não só sexo… era sexo, envolvente e macio.

E eu queria arranhá-lo e beijar sua boca, e lamber seu sexo. E chupar bem mansinha enquanto ele me segurava pelo cabelo. Arranhar as pernas. Morder o lobo da orelha e dizer aqueles impropérios que me deixam ainda mais molhada. Eu estava mesmo era com vontade de gozar. Quente, molhado, forte, dentro, beijo na boca, não violento, intenso, e doce, aquilo que é animal e é ao mesmo tempo humano. O refino do instinto, o requinte da luxúria.

E eu podia quase sentir o gosto dele só de imaginá-lo, me imaginar entre as pernas dele, chupando o que nós, e só nós sabíamos que eu queria.

Queríamos. E era tão sincero que chegava a ser estranho, porque veio desmoronando como uma avalanche de sentimentos, desde os mais puros, até os mais carnais e primitivos.

Eu andava mais fêmea por aqueles dias, mais faminta… E ele, não sei bem por que entrou nesse clima, e andávamos assim a toda hora. Sem orgulho poser, sem fingimentos, ele era exatamente sincero pra mim como eu era sincera pra ele. Com essa mesma verdade que ele punha em sua arte. E que eu punha na minha, embora eu nem ao menos soubesse qual era ela. E cada dia mais ele me enlouquecia de desejo.

Até que naquele domingo de maio, frio, no dia das mães, resolvemos nos encontrar diretamente no motel. E fomos, ainda que eu achasse que aquilo estava errado, e a ordem estava alterada, lembre que se falássemos de multiplicação, a ordem dos fatores não devia alterar e não altera os produtos. Não nos multiplicamos, mas trocamos muito prazer, ele tinha entre as pernas um pau que servia exatamente dentro de mim, e grosso a ponto de me deixar com tanto tesão e tão “preenchida” como há muito tempo não costumava acontecer. Ele me apertava, me mordia, e a voz no meu ouvido, quente, úmida… Me envolviam numa atmosfera tão… Abusivamente ardente..

Eu estava seguramente no inferno. Quente, e cheia de pecado, mas pecado também é mais uma palavra das que não fazem parte de meu dicionário. Ele era um tesão, o que eu queria mesmo era seguir transando.

Dolores e o Lobisomem.

Ah Dolores, eu te avisei…

Logo tu, tão cética, tão cheia de idéias pré-concebidas, de cara com a besta, nunca acreditarias que algum dia se encontrariam.

Deve ter sido a lua, ou quem sabe o whisky, mas tudo que se pôde ver daqui, foi que o encontraste, e em momento algum tiveste medo, por quê Dolores?

Coisas tão opostas, tu, me dizendo que não o viu, que ele nem sequer existe, cheia do teu mundinho insano e irreal, da tua falsa parcimônia e te iludindo com teu controle, tão descontrolada, e tão compulsiva, com uma máscara, como se usasse no peito uma placa dizendo: “sou forte”, e na verdade, nós duas sabemos, que tu és muito forte, mas também és frágil, sensível, e que choras com bem mais facilidade do que gostarias. Andas por essas ruas frias, e tens medo, mas dizes que não, saltos finos, pés doloridos e cara de “minita sexy”. Ah, Dolores, e mais essa agora, um encontro com o Lobisomem, (e vais dizer que ele não existe, que estou inventando não é mesmo?), eu sabia que era inevitável, e que em algum dia ia acontecer, e mais uma vez, tua teoria cairia por terra. Parlapatona, vês o que eu te disse?

O Lobisomem, tão insuportavelmente sincero, tão peludo, tão asqueroso, tão incomodativo, ali, no quarto, na sala, no teu nariz, (mas ele nem existe não é Dolores?), e ele era como descrevem as histórias da tua infância, daqui eu observei tudo, e tu bem sabes que de mim não podes esconder nada, eu vejo, ouço, percebo tudo, ainda que tu me digas que não, que feches as portas, as janelas, tu sabes que te percebo, e sabes que vi que estiveste com ele.

Me causa graça porque não acreditavas que ele existia, eu sim, e sempre te disse que sim, mas tu não, e eu nunca o vi, e em compensação tu…

Notavas o toque das garras dele em tua pele e te fixavas em outro ponto, tua cabecinha não te deixava acreditar que ele existe, e ele respirou no teu rosto, no teu pescoço tão branco que parece frio, puxou o teu cabelo, e tu sabes que sim, que é verdade, e eu não te mentiria…

É mas a lua cheia, se esvazia e com ela se foi o Lobisomem, mas quem sabe ele volta, nem uma foto, nem um cartão, nada, nenhuma prova material, e agora, ninguém além de mim vai acreditar…

Dolores López, 18/10/2004

“As pessoas mais difíceis de amar normalmente são aquelas que mais precisam de amor.”
EU NASCI PRA SER A MINHA PRÓPRIA FAMÍLIA. PORQUE ONDE EU VIVO E COM QUEM EU VIVO EU SOU TOLIDA DE ARROUBOS CRIATIVOS. PORQUE A MINHA EXPRESSÃO NUNCA FOI E NUNCA SERÁ COMPREENDIDA POR NINGUÉM. PORQUE A INTERPRETAÇÃO É FALHA. E DENTRO DA ARROGÂNCIA DE CADA UM PARECE QUE NO FINAL A ARROGANTE SOU EU.
NÃO ME DESCULPO POR NADA, PORQUE EU SIMPLESMENTE NÃO DIGO NADA QUE PRECISE SER DESCULPADO. PORQUE NUNCA VOU ME CALAR DIANTE DAQUILO QUE NÃO ME SUSTENTA, QUE NÃO ME CONTÉM.
TALVEZ, POR ESTAS MÍNIMAS COISAS EU TENHA ME CURADO SOZINHA DE CRISES DE PÂNICO, E NUNCA TENHA CONTADO A METADE DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS SOBRENATURAIS E QUÂNTICAS. PORQUE INFELIZMENTE, DESTE LUGAR DE GUERREIRA ÍNDIGO ONDE ME ENCONTRO EU NÃO POSSO MAIS SAIR. E TALVEZ, SE EU TIVESSE CONTADO O QUE ME ACONTECIA EU NUNCA SERIA INTERPRETADA NA PLENITUDE DA MINHA EXPRESSÃO. POR ISSO SEMPRE FUI SÓ. INDEPENDENTE, NÃO FINANCEIRA, MAS EMOCIONALMENTE INDEPENDENTE… AMÉM