Pra vomitar ou aplaudir…

Lula recebe Prêmio Don Quixote das mãos do rei da Espanha
Fonte: Uol Noticias – 13/10/08

Toledo (Espanha), 13 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje das mãos do rei Juan Carlos I da Espanha o Prêmio Internacional Don Quixote de la Mancha, em sua primeira edição.

Lula foi agraciado com o I Prêmio Internacional Don Quixote de La Mancha de Melhor Trabalho Institucional por seu apoio à difusão da língua espanhola no Brasil.

O escritor mexicano Carlos Fuentes recebeu o Prêmio de Mais Destacada Trajetória Individual por seu trabalho como impulsor da língua e da cultura espanhola em suas obras.

Os prêmios, concedidos pelo Governo da Comunidade Autônoma espanhola de Castela-La Mancha e pela Fundação Santillana, foram entregues em cerimônia realizada na cidade de Toledo, presidida pelo rei Juan Carlos I e pela rainha Sofía, e que contou com a presença do chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

O prêmio entregue consiste em 25 mil euros, além de uma escultura do artista Manolo Valdés.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2008/10/13/ult1766u28303.jhtm

Y la nave va…

Não posso parar de pensar em que é aqui que eu tenho que estar, mas não queria, queria ter seguido viajando, e vendo Buenos Aires de fora pra dentro, de dentro pra fora, de um lado pro outro.
Lancei sobre a cidade os mesmos olhos e tive, uma visão diferente. Os mesmos lugares e um novo olhar, que desta vez me aproximava ainda mais. As ruas malucas e quadras quadradas, os alfajores Havanna, o helado Freddo, a Plaza de Mayo.
Sempre vejo mais coisas do que imagino conseguir. Naqueles dias foi muito diferente.
Foi diferente porque eu deveria voltar, mas não queria e não quero estar aqui. Viver nesta casa e neste bairro, quando na verdade a minha vida deveria estar no microcentro.
Sair do metrô e na superfície ver o Obelisco, a bandeira azul celeste e branco com um sol no meio, que sorri… Eu mereço isso… Muito.
Tomar café e caminhar, sentir o smoke da cidade pairando sobre a cabeça.
Senhoras de vozes esganiçadas, perfumadas caminham pela cidade com seus sapatos baixos, e moças de cabelos picados calçando converse também.
Homens de cabelos modernos, com ternos ou jeans ajustados ao estilo rockanrol.
Nunca esperar para entrar em um elevador, cavalheiros, os homens muito sedutores e muito cavalheiros. As mulheres seguem histéricas, um pouco mais do que as brasileiras, não tão livres, mas isso são coisas para mulheres que são livres.
Punks se reúnem nos finais de tarde na Plaza Rodriguez Peña. Igual como os que se reúnem na Osvaldo, ou, cualquier otro lado.
Calle Corrientes e um teatro ao lado do outro, e muitas vezes intercalados por livrarias, onde os livros são ótimos e baratos. Preferiria não ver Paulos Coelho traduzidos e editados em espanhol, sendo vendido aos montes, até no carrefour.
Fito Páez segue lindo, meio arredio às fotos, mas, com todo charme de “chico pobre, de allá del interior” que bem se transformou em porteño.
Cortazar me acompanhava muito a muitos cafés, entre salones de fumadores, xícaras de café (o americano, que é maior).
Não sei explicar onde foi que perdemos o contato, a metrópole e eu, mas sei explicar que em algum momento, que tampouco sei localizar o reestabelecemos.
Tenho nos ouvidos vozes que falam em castellano, músicas tristes “para sentirme mejor” no nariz eu trago os cheiros de lojas, de doces, café, pizza de muzzarella.
Na alma trago a ânsia de cultura, a coragem de não estar aqui, e de ao mesmo tempo estar lá. A prepotência de seguir afirmando que odeio futebol, e igual, Maradona é melhor do que Pelé.
A minha alma se inquieta, e se curva diante de Buenos Aires. Cidade com sangue, onde as coisas se revertem, e, apesar de ser terceiro mundo ainda não se deixou afundar pela burrice ocidental.