Nem um centavo furado

Tem gente que vale muito.
Tem gente que vale nada.
Tem quem valha uns vinténs.
Gente que machuca a raiz.
Tem gente que faz doer a alma.
Acorda o diabinho encarcerado.
Lá das profundezas ele acorda
Vem correndo, todo feliz
Desesperado por combate, diversão e cigarro:
“Vem aqui, e na tua cara eu escarro!”
Tem gente que mexe com coisa boba
Outros mexem com coisa séria.
Trata sentimento com pouco caso.
Não sabe do que se trata?
Sabe sim, és feito do mesmo barro.
Tem gente que bate na gente.
Tem o dia que a gente se revolta
Se revolta e bate também.
Mas não assim de mansinho
Como quem quer bem.
A gente bate em gente que não vale nem um vintém.
E aí, não tem lei que condena
Não tem respeito e não tem doçura.
Tem rancor pavor e pânico
Encharcados de loucura.
Apanha o que vale muito,
Apanha o que nada tem.
Merece muito apanhar
Quem não vale nem UM vintém.

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En el baño de un hotel – Fito Páez

Me mordiste la mano con rabia
en el baño de un hotel
vomitabas el odio del mundo
esa noche me enamoré.

Esa cruz que llevás
en la espalda
te la voy a quemar
sos la chica más loca del barrio
y se te hace muy duro amar.

Lo volviste a hacer otra vez
 lo que te hace bien, te hace mal 
parecés una “flaca de exactas”
explicando
lo que no hay que explicar.

Entre todas sos muy especial
me gusta tu desprecio
no te vayas a equivocar
yo ya se que no tienes dueño.

Vos sabés que te puedo lastimar
vos sabés lo que mas me tienta

Verte desnuda, abierta
sobre mi cama

 gritando y pidiendo más 
y que me rompas la remera
de mi otra novia
de un tiempo atrás.

Estoy siempre con vos
aunque no esté con vos
my Love.
Los muchachos
se quedan helados
cuando la ven pasar
las muchachas la quieren matar
y comerle la boca.

Cuando te veo
tan triste y tan sola
rebotando por la ciudad
con tu pollera
y la mirada perdida
sin que nadie te pueda amar.

Yo clavé mis ojos
en vos
y te voy a llevar al sol
no te vayas a equivocar
yo te voy atrapar mi amor

Fito es un grande! Si yo tuviera 16 años estaría segura de que compuso esta canción para mi.
Porque yo solía ser su “muchachita punk”.

Silueta Porteña

Milonga 1946

Música: Nicolás Luis Cuccaro / Juan Ventura Cuccaro


Letra: Ernesto Nolli / Orlando D’Aniello

Cuando tú pasas caminando por las tardes,
repiqueteando tu taquito en la vereda,
marcas compases de cadencias melodiosas
de una milonga juguetona y callejera.
Y en tus vaivenes pareciera la bailaras,
así te miren y te miren los que quieran,
porque tú llevas en tu cuerpo la arrogancia
y el majestuoso ondular de las porteñas.


Tardecita criolla, de límpido cielo
bordado de nubes, llevas en tu pelo.
Vinchita argentina que es todo tu orgullo
¡Y cuánto sol tienen esos ojos tuyos!
Y los piropos que te dicen los muchachos,
como florcitas que a tu paso te ofrecieran
que las recoges y que enriedas en tu pelo,
junto a la vincha con que adornas tu cabeza.


Dice tu cuerpo tu arrogancia y tu cadencia
y tus taquitos provocando en la vereda:
Soy el espíritu criollo hecho silueta
y te coronan la más guapa y más porteña.

BookCrossing

BookCrossing foi a boa do final de semana. Sem registros, sem apegos.
Lucía se chocava ao ver os livros da bruxinha na estante da casa da sogra.
Arrepios de nojo. Asco. (Achava que sairia sebo dos livros, gordura e flacidez, quem sabe eles guardavam uma maldição?) Ele sugeriu fazer uma fogueira. Mas Lucía não gostava da ideia de queimar a Ilíada, livros didáticos, Dickens, e outros clássicos.
Juntou tudo, levou-os a uma praça na frente de uma escola. Eles ficaram lá, imóveis, parados
sobre as mesas com tabuleiros de damas.
No parque grande, aquele em que tanto passearam naquelas quentes manhãs de verão, Lucía, com a ajuda do marido, espalhou os livros sobre os bancos, onde os punks cantavam músicas que eles não sabiam cantar.
Fez questão de deixar os nomes nas folhas de rosto.
Como não estavam nunca na casa da sogra, os pertences da ex, aquela gorducha (e os livros eram o melhor que pudera oferecer) ficaram adormecidos na estante. Mas Lucía não passa por uma estante de livros sem tocá-los, e isso dava nojo. Melhor a estante mais limpa. E assim ficou.

amor e reciprocidade

me preocupo com o que eu sei e não sabes

com tua instatânea solidão e falta de amor
me magoa que eu não te queira e tu me queres
insulta tua falta de saber não saber
tua presença infla o ego
eu sei que vens e sentes, e olhas ultrajada.
por que me buscas assim, anonimamente?
aquilo que tiveste, passou e já se vai
aquilo que é meu, tenho e aqui está
fazes parte de algo que doeu e nem ao menos dói mais.
tudo passa como brisa de outono
como a fúria de uma chinchila
toda a destruição é pouca
me toca saber que antes eu era rival
agora estou no pedestal
e me idolatras, me segues, persegues…
sim, tu lês, buscas e esquadrinhas…
desejando quem sabe ver fotos, rostos
ouvir vozes, sentir o cheiro.
perguntar houvesse sido normal.
sabes de mim o que precisas saber
nem mais, nem ontem.
sabes de mim o hoje,
tu sabes de mim, suor.
pensas espertezas sinceridades e destrezas
ousas e já não tens controle do impulso curioso
curioso e infantil
teu amor por mim,
o reflexo de amar quem é amado por aquele que já não nos ama
amar o objeto de amor, maior do que fomos
daquele a quem amamos (no passado ou presente)
sorver com admiração alguma seiva, algum deslize
algum escape que mostre
onde vão as pessoas que caminham depressa?