Delícia…

Ela estava naqueles dias, não menstruada, naqueles dias em que levantar de manhã é um saco.
Nunca é um saco, por isso se fazia estranho. Ele nem sempre tinha paciência para o “holding” diário, ela menos ainda.
Ele chegou às onze, e disse que precisava falar sério. Ele a pediu em casamento, ela disse “de novo?” ele respondeu que sim. Ela disse que hoje não porque estava com a unha lascada, e ele disse que tudo bem, que poderia ser mais tarde. Amanhã. Ela disse que se eles já tinham aliança, moravam juntos há um ano, o que poderiam querer mais que isso? Ele disse que tudo bem, eram casados, mas queria renovar esses votos e de novo e de novo até os cem anos, até a alma aguentar o peso do corpo. Eles dormiram abraçados. Felizes, as usual.

Charles Bukowski – The Genius Of The Crowd

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average
human being to supply any given army on any given day

and the best at murder are those who preach against it
and the best at hate are those who preach love
and the best at war finally are those who preach peace

those who preach god, need god
those who preach peace do not have peace
those who preach peace do not have love

beware the preachers
beware the knowers
beware those who are always reading books
beware those who either detest poverty
or are proud of it
beware those quick to praise
for they need praise in return
beware those who are quick to censor
they are afraid of what they do not know
beware those who seek constant crowds for
they are nothing alone
beware the average man the average woman
beware their love, their love is average
seeks average

but there is genius in their hatred
there is enough genius in their hatred to kill you
to kill anybody
not wanting solitude
not understanding solitude
they will attempt to destroy anything
that differs from their own
not being able to create art
they will not understand art
they will consider their failure as creators
only as a failure of the world
not being able to love fully
they will believe your love incomplete
and then they will hate you
and their hatred will be perfect

like a shining diamond
like a knife
like a mountain
like a tiger
like hemlock

their finest art

eu nem sempre entendo.

Sempre fui acostumada à autonomia.

Fazia sozinha, gerenciava problemas e melhores atitudes.

Estudei em colégio de freira, sim. O das melhores patricinhas da capital do RS.

E morava naquele bairro que fica lá no alto, como também as patricinhas precisam morar.

Sim, eu fiz ballet, e jazz e teste pra propaganda das lojas Alfred, eu li o Petit Prince

e contava a história do Pinóquio em italiano. Sim eu usava sainha plissada com meia 3/4,

era o uniforme da minha escola.

Eu tinha uns “zóião”, sim. E ainda tenho, mesmo…

Maquiava, penteava e sonhava em ter o cabelo da Cláudia Raia… Em 85, pensa…

Passou e eu estudei na faculdade dessas mesmas patricinhas, com a roupa que me convinha,

sandália com meia, jeans e havaianas, uma coisa low profile, tênis de plataforma numa atitude meio clubber. Me deprimia, e chorava escondida, deitada no chão da área de serviço.

Troquei muitas coisas, de namorados a cursos universitários o que eu mais troquei mesmo foi a cor e o comprimento do cabelo. E isso segue… Do zero pro cabelão do roxo pro preto, vermelho e rubio platino.

Com 16 anos eu estava lá naquela faculdade, morava sozinha, usava algumas drogas ilícitas

que hoje em dia até parecem lícitas e me davam fome. Depois tomava remedinho que matava essa fome.

Tomava meu prozac de cada dia porque tava depressiva, santa ignorância!

Tomava Frontal pra dormir porque a outra boleta me deixava ligada.

Não trabalhava, até que meu pai me disse:

“Dinheiro? Pra fazer a unha? Isso é colocar dinheiro fora, depois estraga e se foi meu dinheiro!”

Comecei a trabalhar assim…

Já tive catapora, sarampo e sapinho na garganta.

Bisexual, todo mundo é, mas nem todos se descobrem, mas eu gosto taaanto do oposto.

E se eu uso calça prateada, cabelo chapado, brinco de argola, ou se eu uso tênis e calça de cetim, isso é por conveniência. Porque eu sou parte do sistema. Porque eu militei na rua,

porque eu chorei quietinha e às vezes eu gritei de raiva.

E se eu tive uma filha linda foi porque eu decidi assim. Pra nós duas, pra todos e pra mim.

Não vim pra esse mundo passeando, eu vim a trabalho.

Claro que combino sempre trabalho e lazer, mas o primeiro me leva bem mais tempo.

Não me deslumbro por moedas e não sei “guardar para mañana”. Mas gasto muito em shampoo e condicionador, tênis e badulaques, gosto de bolsas, bolsinhas, mochilas e lenços. Tiaras, óculos de sol e óculos de grau. Eu gosto de metáforas e crianças. E de livros novos e antigos.

De fuscas vermelhos pra colar bolinhas pretas e fazer de conta que é uma joaninha.

E de desenhar, pintar e escrever. Putaria pra fazer escrever e ler. Não tomo mais remédio, nem floral, nem homeopáticos, nem aspirina. Gosto de álcool sexual, café holográfico e mate subliminar.

Gosto de jogos de palavras e palavras jogadas. Gosto do mesmo e sempre desse. Mas gosto de outros que moram nele também.

Não respeito gente sem personalidade, menos ainda quem assume coisas que não é e não tem.

Eu gosto de gente – “voy de los castillos a los callejones” mas gente que assume, se é na vila é na vila e “tamo junto no corre, truta” se é no bairro nobre, da igual… mas fingindo não, fingindo não dá pé!


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Meu amor hj é o dia do professor até ai tudo bem, mas no meu caso sou muito feliz em 100000 milvezs por ter a mais bela, a mais inteligente, o meu tudo, minha vida te amo por ser essa mulher com fibra e garra e buscando sempre o melhor em tudo q tu faz sou teu eterno fã meu amor tu me ensina todos os dias a ser uma pessoas melhor muito OBRIGADO!



Te desejo hj o que quero sempre pra ti meu amor tudo de bom e parabéns pelo teu dia minha vida te amo!!!!!

E olha que foi meu aluno só um pouco!

yummy yummy nham nham nham

Em nenhum outro lugar do mundo se come cuca.
Tem coisas que são semelhantes, mas nada é como a boa e velha cuca.
A cuca é uma espécie de pão doce, (mais doce que o pão doce ) coberta com uma farofa que normalmente era feita com o resto da massa que fica na tigela do preparo, mais algum tipo de gordura (manteiga, banha) e açúcar. Ela pode ser simples, só com a farofa, ou com recheios diversos de frutas e doces como chocolate e doce de leite… De banana é um escândalo, goiabada, requeijão, chocolate, coco, frutas em calda…
Dá pra gostar, mas não pra comer, ou não muito…
Aqui se come cuca sempre, “pras alemoas” como eu, ela acompanha churrasco de carne muuuito mal passada, serve pra fazer sanduíche e torrada, e, na verdade ela substitui o pão. É por esse motivo que o melhor é não ter em casa, comprar uma, pequena e comer, senão… BALÃO