sunny sunday

Arrow and Bow
se bater aquela vontade de dançar, deixa a música levar…
aqui, um vento roça sensualmente a pele. enquanto o sol, lambe.

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A espera

Não sei por onde começar. Não me lembro se chovia ou fazia sol. Qual roupa estava vestindo. Pequenos detalhes que no final das contas, não importam. Só servem para preencher recordações que mais parecem ilusões. E para que servem? Para nada, para dar uma pontinha de felicidade nessa rotina que nos esmaga.

Voltando a minha história, eu estava lá parada, esperando de novo. Não posso mais dizer que esperava como uma boba porque na idade em que me encontro, não há desculpas para fazer papel de boba. E mais, creio que essa é minha quarta história de espera, então realmente não posso me fazer de boba.

Enfim, como toda espera o tempo passa devagar e para não pensar na ausência do que se espera, inventa-se pequenos passatempos. Bobos muitas vezes, mas interessantes de certa forma. A espera, para bem e para mal, desperta certo lado criativo. Pelo menos nas mulheres.

Meu passatempo predileto e certamente é o de muita gente, é imaginar a vida das pessoas que vão passando. Muitas vezes, a imaginação se aproxima do bizarro. Alguns acontecimentos nos dão razão para imaginar tais coisas. Influência dos meios de comunicação, talvez.

Comecei a pensar se alguém olhava pra mim e imaginava quem eu estaria esperando, se sentia pena, amor, desprezo, etc. Então comecei a imaginar todas as pessoas que eu podia estar esperando. Que não fossem atores de cinema ou personagens de livros. Isso me deu uns vinte minutos de distração bem aproveitados.

Depois de um longo suspiro renovador, desisti de esperar. E fiquei ali sentada, com muitos passatempos para explorar

Nada consta.

Lembro me de Clarice como quem lembra da própria intimidade.
O nome dele era Marcelo.
Hoje precisamos dar nome aos bois.
Marcelo era um surfista de quase quarenta, mas morava com a mamãe.
Clarice tinha quase vinte e cinco e já fazia dez anos que vivia sozinha no mesmo bairro daquela capital.
Marcelo tinha cor e cheiro de mar.
Sempre tentava convencê-la que o que os unia era a química.
Enquanto ela esteve com o Luís ela também esteve com o Marcelo.
Eles nunca se conheceram. Clarice não se negaria em apresentá-los.
Mas dava o melhor de si para ambos. E eles se integravam.
Marcelo tinha uma boa voz, bons lábios, mas era um feio meio bonito.
Tinha aquele pau, que era maior que o do Luís.
Mas o Luís mordia, e lambia. Uma vez queimou a bunda dela com o isqueiro.
Luís era lindo, muito, parecia o Johnny… SIM, o DEPP
Luís tinha aquelas taras de intelectual, de muito ler Pedro Juan Gutierrez.
Marcelo tinha sol pelas entranhas. A energia do sol perdura, por muitos dias.
O Luís o Marcelo e a Clarice eram muito tarados.
Até que um dia eles começaram a namorar outras pessoas.
Clarice encontrou Marcelo no parque Farroupilha…
Não se cumprimentaram

Onde tu vai?

Sílvia chegou calada. Muda. Pálida.
Felipe havia combinado o jantar, e desaparecido.
Na repartição um homem infeliz acompanhado da mãe, bradava, cuspindo, não deixava Sílvia interagir.
Sílvia estava naquela crise terrível de fazer trinta anos.
“Vinte e nove é vinte e nove, mas trinta é um número redondo, gordo, bochechudo”
Todos riam, e achavam que Sílvia era boba, mas no fundo acreditavam.
Ela queria pintar o cabelo, comprar Renew, se depilar e fazer a unha.
Ela queria aplicar Botox, se esconder e chorar.
Queria rir e conversar a esmo com as senhoras queridas que a procuravam no trabalho.
Parecia uma menina de jeans e camiseta, tênis e cabelo espetado.
Parecia uma senhora de camisola passando Renew.
O momento era de se agarrar na adolescência tardia, e afastar tailleurs, scarpins marrons e óculos com correntinha.
Um jeans surrado, uma camiseta, mascar chicletes, disco da Madonna, “eu sou fã do Menudo, calma”.
Precisava de muitos tênis, muitas meias coloridas e muitos óculos escuros.
Cabelo colorido, quem sabe um piercing no nariz.
Sílvia não queria e enfim seria uma Balzaquiana.
Escreveu:
“Honorè de Balzac, eu te odeio.”
Desligou a luz do escritório, saiu, colocou os fones no ouvido e seguiu vivendo com vinte e nove.
Parece que no ano que vem a festa vai ser de trinta e um.
Trinta era um número muito fofo, muito gordo, obeso e bolachudo, e neste ano, ele não fora convidado.

Etiqueta Sexual Parte 2

O primeiro texto era sobre coisas que não se deve dizer quando for fazer sexo (pelo menos não nas primeiras vezes) este se trata de coisas que não se deve fazer na hora do coitus, pode acontecer que se transforme num coitus interruptus:
Não faça outras coisas, por favor, não atenda o telefone, nem fixo, nem celular, nem pager, nem nada. Se for médico e estiver de plantão, volte para o hospital, a gente não quer e nem vai entender que dê atenção para outra coisa.
Não comece sem antes se certificar de que: as portas e janelas estão fechadas, a temperatura do ar condicionado foi regulada, sua mãe ou sua vovó estão em casa, ou se o cachorro está preso.
Não acenda um cigarro no meio do negócio, depois a gente entende, ou antes, mas jogue-o fora na hora.
Não faça malabares que não tem certeza se funcionam, velas que caem, lençóis que se prendem, tropeções são aceitáveis durante todos os momentos, menos na hora de trepar!
Não peça pra gente colocar a camisinha (nem com a boca) nos primeiros encontros, seja cavalheiro, faça por sua conta.
Não faça dancinhas, mesmo… Tira o fôlego, atrapalha, e fica patético.
Não pegue a máquina para fotografar, se não foi previamente combinado, a gente não vai gostar.
Não acenda a luz se ela estiver apagada.
Não apague a luz se ela estiver acesa (essa é mais complicada, parece que você está arrependido)
Não tire meleca, não cheire os dedos se não for por prazer, não peide e não ronque.
Se a gente resolver chupar, por favor, não puxe nossos cabelos e não tente enfiar seu pau na nossa garganta, ela tem um limite, que se for ultrapassado vai gerar vômito, e o constrangimento pode melar a possibilidade de outros encontros.
Não tente gozar na boca de uma mulher que não lhe consentiu essas intimidades. Podemos cuspir a porra da porra, e isso é muito chato!
Se brochar, não explique, fique ferrado de novo ou suma. A gente vai sentir culpa de qualquer jeito.
Atitudes que facilitarão a convivência, hetero, e SEXUAL!

Etiqueta Sexual

O sexo também precisa ter regras!
Seja educadinho e trepe legal. Sua parceira agradece!
Algumas coisas que você não deve dizer na hora do sexo para uma mulher:

Não use expressões que você ouviu na novela, nem em programas de humor. É sério, pode gerar um coitus interruptus absurdo. Você pode olhar novela e tudo, mas nós não queremos saber disso.
Não use palavras no seu grau aumentativo, cuidado com: Cavaluda, vacuda, tetuda, bucetão, xexecão, fica feio pra você!
Não fale como criança, mesmo… Ou você pode olhar e estar fodendo o colchão, a gente quer dar pra um homem, não curar nenhum complexo de Édipo;
Não xingue demais, um pouco vai, mas se ficar violento a Maria da Lenha pode te pegar!
Não cante músicas absurdas, menos ainda se for axé ou funk. Pense em quem você está comendo, e em que sua respiração ofegante vai atrapalhar seu desempenho tanto sexual como musical (eca!).
Não fale em outro idioma que não o seu mesmo, eu por exemplo começaria a rir, e o parceiro ia ficar com o pau na mão.
Se for gozar, pode gemer, mas não grunhir, balir, latir, assobiar e fazer descargas elétricas em sinapses complicadas que fazem parecer que você está tendo um ataque. A gente entende que é gostosa, mas se for epilético avise antes.

Motivos

Nem sei por que vim. Quando me dei por conta apenas estava aqui. Roendo as unhas, comendo os dedos, tremendo e sacudindo a perna.
Ele caminhava em minha direção, em passos largos e iguais.
Tudo o que ele fazia era sempre igual. Roupa igual, sempre os mesmos tons, sempre o mesmo estilo.
Íamos sempre aos mesmos lugares, conversávamos com seus mesmos amigos iguais, de caras iguais, e de vibração modulada.
Sempre no meio, sempre médios, sempre a mesma nota.
Nunca um rompante, um grito, uma gargalhada ou uma surpresa.
Sempre igual, morno, cinza e médio.
O medo ficava grande. O médio ficava mínimo.
Já não se acendia mais aquela luz quando nos víamos, era apenas uma meia-luz. Um abajour, que ilumina, mas “non troppo”.
Cheios de diálogos monossilábicos e monólogos verborrágicos da minha parte, deixamos para mais tarde aquilo que seria um ápice.
Mas comigo o raio veio. E quando ele chegou o raio apenas rompeu e queimou. E queimando, veio também a cauterização do que houvesse restado entre nós. A cicatriz faz a pele mais firme. Novamente fomos partidos em dois.
Deixei o copo pela metade, o abajour ligado, a tevê em standby e a certeza de que não iria mais regressar.