Lençol listrado e chiclete de melancia.

bocaNão podiam se ver. Seus corpos ferviam, alguma coisa dentro deles se descontrolava. O resto do mundo era só mundo, e esqueciam a vida lá fora.

Um era o lugar de descanso do outro, e do descanso, passavam a ser também o lugar de lazer. Ela sempre foi muito sexual, muito ouvinte e observadora, seios grandes, lábios, literatura e unhas. Ele, de riso fácil, olhos expressivos, de números e grandes companhias.

A história e o acaso quis que se vissem naquela tarde de verão. Depois de uma água gelada, um café, resolveram que mereciam um lugar mais íntimo.

Ele a levou para sua casa, onde estava sozinho. Ofereceu-lhe cerveja, ela aceitou, tomando alguns copos, se olharam por um longo tempo, até se deslocarem para o quarto. Amplo, claro. Ela sentia ciúmes de não ser a dona da casa, da cama, a mulher daquele homem, mas, para ter-se um homem realmente, só se podia ter um.  E isso lhe acalmava os ânimos. Mas não diminuía as sensações. Entrou no quarto, e rapidamente tirou as sandálias, baixas, mas que envolviam-lhe o sexy tornozelo. Abriu o zíper, e deixou à mostra os pequenos pés de unhas vermelhas. Liso, asseado… Ele tocou delicadamente os pezinhos enquanto ela deixou o corpo cair lentamente sobre os lençóis listrados. Beijou-lhe os joelhos, à mostra através do short preto que ela vestia. Ela levantou-se hesitante, olhou-se no espelho, ajeitou o cabelo, ele sem camisa, abraçou-lhe por trás, e ela pôde sentir seu pau que duro, latejava dentro da calça de jeans claro. Ele beijou-lhe a nuca, a orelha, e tocou-lhe os seios, os mamilos, que rapidamente endureceram, dentro do quarto estava frio e agradável, uma luz indireta fazia tudo mais tristemente belo e envolvente. Ela se virou, e encontrava-se na altura do peito dele, ergueu a cabeça, e os lábios se tocaram… Era exatamente a sensação de percorrer de novo os mesmos caminhos. Os mesmos caminhos de sempre em outro landscape. O tempo passara, mas reconheciam-se os corpos, os cheiros, o gosto de chiclete de melancia com cigarro. Lentamente ele tirou a blusa preta, e debaixo encontrou uma renda da mesma cor que fazia as vezes de um sutiã… Ele a deitou na cama, e abriu o zíper do short que ela vestia. Debaixo deles calcinha preta, minúscula. Ele já sem camisa e sapatos, tirou a calça e a cueca. Por cima do sutiã beijou-lhe os seios fartos e firmes de mulher, sentiu os mamilos enrijecerem em sua boca. Virou-a de bruços e lambeou longamente suas costas e a bunda arrebitada, fazendo-a gemer baixinho com o rosto virado para o colchão. Lambeu toda a extensão da bunda, colocando-a de quatro…  E estocou nela seu pau grande e grosso até o fundo, várias vezes, dando tapas na bunda: “Segue gostosa, segue gostosa como sempre, do jeito que eu quero, do jeito que eu sempre quis.” Tirando o pau de dentro da bucetinha molhada, deitou-se, e fez com que ela sentasse em seu pau. Acariciava os seios, ouvindo seus gemidos e sussurros. No seu ouvido ela dizia: “Vem, deixa, deixa eu gozar, deixa, deixa eu sentir teu pau, duro, grande e quente, deixa eu gozar.” Cavalgou devagar, apressou, e devagar ela gozou, e gemia, e se contorcia… Depois de tê-la feito gozar, ele disse: “Agora tu vai sentir teu gosto misturado no meu.” Ela sentou-se na beirada da cama, alcançando o chão com a ponta dos dedos, e ele de pé em sua frente, enfiou o pau em sua boca… Como fosse habilidosa, engoliu o pau várias vezes, gemendo, enquanto ele puxava seus cabelos, para olhar sua cara e seus grandes olhos enquanto ele fodia sua boca carnuda… E ele enfim gozou em sua boca… Um pingo de porra escorreu pelo canto do lábio, e ela com os dedos tratou de colocá-lo para dentro… Tomou todo o gozo dele, que vinha misturado ao gozo dela. E sorriu, com aquela inocência completamente perversa. Deitou-se ao seu lado, e se cobriram com o grande lençol listrado, afinal, fazia frio dentro do quarto, e ninguém tinha forças para pegar o controle do ar condicionado. Ela dormiu cansada no peito dele, enquanto ele acariciava lentamente seus cabelos, assistindo aquele sono merecido.

Ele não adormeceu, ficou ali, olhando a silhueta clara debaixo dos seus lençóis, pensando em ciúme, saudade, dor e pecado. Ela levantou cedo, e saiu. Deixou um bilhete sem nada escrito, apenas um beijo de batom vermelho escuro, café pronto na cafeteira e um chiclete de melancia sobre a mesinha de cabeceira. Seguirá povoando suas fantasias secretas, e cada vez que sinta seu perfume retornará a uma doce lembrança.

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Meu sexo me mata.

Sei lá, acordei assim. Há dias em acontece, sempre quando acordo. E desde a hora em que acordo até a hora em que vou dormir. Nas coisas mais simples, lá vem ele.

É pra te conquistar, é pra te abandonar, é pra te abraçar. Ele é motivo pra te esperar, pra acatar, pra deitar, ou levantar. E tomo café, olho pela janela, e imagino fantasias, das boas, das pervertidas. Nada de fantasiazinhas bobas, de avião, elevador, escada… Não, sexo muito do refinado, com fantasias sadomasoquistas, amarras…

Fundo musical, tudo, tudo traz sexo, cheiro de sexo, gosto de sexo. Chupar um Halls preto, e lá vem ele de novo, tomar um mate, vestir uma calcinha de fitinhas… Telefone, álcool.

E eu já nem sei mais por onde tenho andado… Mas a andança e a imaginação são grandes.

Encho então minha vida de coisas sexuais.

Sim, o mundo se divide entre:

Coisas sexuais: Café, cigarro, álcool, vermelho, sapato de salto alto, maquiagem, espelho, chocolate, vinho…

Coisas vegetais: Alface, moranga, sopa  desentoxicante, suco de caju, azul claro, tênis…

Coisas espirituais: Todo o resto. E tudo o que não se pode entender e nem provoca interação.

Minha vida se enche de café. Xícaras, baldes, montes. Perfume. Saltos, altos e fálicos. Pose, sexo. Todo o dia, toda a noite, toda hora, sempre.

Sexo em barulhinho de xixi, sexo em cara remelenta escovando os dentes, sexo em camiseta recortada de dormir, sexo em camadas, aos goles, aos pedaços, sexo enlatado, plastificado. Nos meus seis sentidos. Em tudo. Notícias, Globo esporte, Novela das nove.

Masturbação? Não, nem pense… Já abusei dela, ficarei com espinhas, e nascerão pelos nas minhas mãos.

Oasis

oasis

me dijo que yo era un oasis…
no un espejismo, un oasis
y? cómo sería?
para escaparse del desierto de la vida cotidiana?
para quedarse un rato en la sombra, tomar un poco de mi agua?
poner una hamaca paraguaya y quedarse en silencio
descansando
mirando todo ese desierto que parece infinito…
tocar mis blancas arenas suaves…
con esos dedos hábiles que tiene…
soplarme con…
tal vez divertirse…
o no podría un oasis ser divertido?
sentáte ahí…
siente
el calor que crece
el agua que lo calma.
… me dijo que yo era un oasis…

Cèline e a caixa preta das memórias.

Todos tinham passado. Todos tinham histórias, isso era certo e qualquer adulto era capaz de compreender. Cèline não era diferente, mas tinha com ela a resolução de jogar fora tudo o que lhe tivesse feito mal, como era sincera, transparente, vivia bem, sem remoer recordações que pudessem fazer-lhe mal.
Mas guardava dentro de caixas pretas na memória marcas de passados que não eram de penas, e sofrimentos, marcas de que já havia sido feliz antes. Sabia, lembrava com quem, onde e como.
Era casada, e, a maioria de seus affairs, já encontravam-se na mesma condição, casados, e com filhos.
Numa tarde de um verão quentíssimo em Florianópolis Cèline resolveu espiar lá para dentro da caixinha das lembranças. Como a caixinha estivesse cheia de poeira de passado, ela a limpou, abriu uma fresta, e olhou lá para dentro, deparou-se com recordações que aqueciam a alma, e aqueciam os sentidos, já era uma mulher, se conhecia e reconhecia como tal, e lá dentro da juventude encontrou a recordação que ouviu seu sensual sussurro: “long time no see you” disse ela, esperando qualquer rejeição e um sumiço da lembrança. A caixa em alguns segundos respondeu: “oi” com voz de homem, maduro. Não acreditava que depois de tanto tempo pudesse receber uma resposta daquela lembrança. Junto com a lembrança de ter vinte e poucos anos vieram lembranças de planos, de esquecimentos, de arrependimentos, e ela resolveu deixar-se perguntar e responder a todos os questionamentos que a lembrança pudesse trazer consigo.
Para sua surpresa, a lembrança também lembrava-se bem de Cèline, de detalhes de roupas, de camas e de lugares que haviam passado durante a semana Juntos em Amsterdam. Nunca mais haviam se visto, mas, confessaram-se, Cèline e a sua lembrança que sim, haviam se “caçado” nos últimos anos, nos lugares mais improváveis e inusitados.
O contato com as lembranças não ofende, não é imoral e não constitui traição, mas todo e qualquer rastro de conversa seria apagado.
Como não poderia conversar com a lembrança apenas olhando para dentro da caixa, Cèline resolveu aceitar o convite para um café. Que mal poderia haver, repito, em que ela fosse tomar um café com essa lembrança tão distante e tão cálida?
Combinaram a data e o local, e, sendo ambos comprometidos, o café deveria ocorrer em um horário e lugar que não despertasse em seus parceiros nenhum tipo de desconfiança, mágoa ou ressentimento.
Marcaram em um café pequeno distante dos lugares onde viviam e trabalhavam.
A lembrança chegou cedo, roupa de trabalho, Cèline foi pontual, mas despojada, mais natural. Talvez não se reconhecessem mais, ou talvez o fio da memória os tivesse guardado direitinho dentro de suas respectivas caixinhas.
Era certo, se reconheceram apesar de todas as mudanças. Ao entrar no café viu que em uma mesa, sentada de costas estava aquela lembrança de quase dez anos atrás, mas a mesma lembrança. Cèline tocou-lhe o ombro, e ela virou-se, tirando os óculos escuros que lhe escondiam os olhos claros Cèline e a lembrança sorriram mutuamente, e, como era uma boa lembrança levantou-se para recebê-la. Cèline, dez anos depois guardava em si uma juventude mais tranquila, e parecia radiante. Abraçou-se fazendo sentir o volume dos seios que era justamente o volume que continuara preso na lembrança… Beijou-a no rosto, tão perto da boca, que chegaram a ruborizar-se. Cèline tocou o rosto da lembrança com um carinho que também vinha vivendo preso à ela… As lembranças ficam presas nessas coisas. Começaram com um silêncio, que foi rompido por uma enxurrada de perguntas. Não de cobranças, de atritos, de maldade, uma enxurrada de perguntas que ficaram adormecidas na caixa, junto da lembrança, e, por isso, acabaram fazendo parte da sua vida cotidiana. Perguntou àquela lembrança se não a incomodava, e ela, respondeu que não. Perguntou se às vezes pensava em tê-la encontrado, se havia pensado nela depois de toda aquela tempestade maluca que haviam vivido em Amsterdã. E, para sua surpresa, a lembrança disse que sim, que havia lido seus pensamentos, suas notícias, suas reportagens, suas fotos… que havia sonhado com ela. Cèline perguntou se todas as mulheres deixam nas caixas lembranças assim, e aquela lembrança justamente disse que não, que Cèline tinha essa loucura, esse sexo sem medo, esse gozar sem pudores, esse cheiro, esse café, esses cigarros e esse par de pernas que tinham feito dela uma lembrança absurda e vívida. Que os dias passados na Holanda, fizeram dela (da lembrança) algo permanente. Confessaram-se com medo de voltar para casa e serem descobertas apenas pela cara de quem fez algo de errado, confessaram-se também cheias de desejo. Como a lembrança sabia da natureza exibicionista e sem freios de Cèline, disse-lhe baixinho, tocando-lhe os joelhos e as coxas nuas por debaixo da mesa que lhe encantaria ver de novo as calcinhas mínimas que ela costumava usar, perguntando se ainda eram do mesmo jeito, absurdamente abusada, ela responde afirmativamente com essa cara de doida, entreabrindo mais a perna para facilitar o toque… Que chega intenso, profundo, e Cèline mordendo-se quase perde a compostura. A lembrança lambe os dedos e diz, pausadamente: Foi exatamente assim que imaginei te encontrar, incólume ao que o mundo tenha feito durante os últimos anos. Observaram-se calmamente, com desejo e loucura, mas cheios de mansidão e paciência. Tocaram-se as mãos, pernas e joelhos, e esqueceram o mundo lá fora. Começaria a chover e eles precisavam voltar ao mundo real. cafeyrecuerdo