distante demais

quanto mais andávamos, mais distantes ficávamos

e pensar que há pouco na mesma direção.

a cada passo mais e mais longe. 

não havia o que dizer, nem o que pensar.

só sentir, deixar doer, esse aperto a nos matar.

a dor que nos mata um ao outro.

que nos afasta aos poucos e devagar. 

um cochilo no sofá, o vento.

 

 

pela porta

pela porta

mais uma vez eu tentei. vai saber, quem entende. não acho graça em nada disso, e deve ser exatamente por isso que a tentativa é válida. parei no meio, sei lá, medo, pavor, consciência. eu tava parada, ali, sozinha na sacada. olhos fixos no horizonte, e caminhei, contra o parapeito, deixei a metade do corpo cair. a campainha tocou. os pés quase não encostavam no chão frio da sacada. dei um golpe com o peito, dobrei os joelhos. voltei atrás. fui até a porta, não havia ninguém.

simple

please give me some students. – I won’t leave them.

adultos são chatos, seus ofícios, manias, histórias são, como eles, sofríveis.

adultos são pernósticos e se emcionam mais com uma conquista material do que com um novo bichinho de estimação.

quanto mais adultas são as pessoas menos brilhantes e honestas me parecem.

não quero lê-las, interpretá-las, entendê-las, se nem ao menos elas têm a capacidade de o fazerem por si mesmas.

carnaval é festa da carne. na sexta feira santa não se deve comer carne.

que merda de ingerência a igreja tem no consumo de proteína animal?

o papa é que apita isso?

sei que estou cansada, e sei o quanto isso é chato.

não quero retornar ao inferno. e, ao que tudo indica é justamente para lá que eu vou.

em buenos aires doeria em espanhol, eu estaria “recansada”… mas não. é aqui, nesse fim de mundo, com gente que eu jamais conheceria.

não frequento os mesmos lugares, não ouço as mesmas músicas, não conheço nem inimigos nem parentes próximos. eu nunca as conheceria.

simples como a luz, e, ao mesmo tempo tão complexo, vejo a fragilidade daquilo que nunca existiu. em nada muda minha vida o fato de que exista ou não, exceto que não me é caro, nem me importa;

surpreende-me o exagero humorístico desenfreado, sabendo que causa desconforto e mágoa. e lamento, só tenho a lamentar.

 

red lipstick really makes sense

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i don’t know why red lipstick is sooo cool. but, it is.

he resolvido trabajar hoy llevando labial rojo,

y a tí que? es que, la verdad se me hace necesario llevar algo de extraordinario.

a un lugar donde todo se hace todos los días igual.

la gente tiene miedo a lo que le pasa si es original

ahora, el uniforme llega y se nos rompe la originalidad

¿a dónde vamos, así, despacio y tan ajenos a todo…?

a lo lejos se escucha la voz de piazzolla…

y la sirena de la policía nos hace enmudecer.

un labial rojo es sólo una forma de callar un grito que emerge.

a la salud

alimentar a prole talvez tenha sido por muito tempo o sentido mais vigoroso da maternidade. exige talentos, alguns sutis, alquímicos, de bruxa. outros, mais graves, pesados, verdadeiramente físicos. e exige, no meu entender, amor.

as leoas mães, lambem seus filhotes, caçam, e os alimentam. não para complacê-los*, para perpetuar a própria espécie. no final das contas, eu não sou leoa, e, nós, os humanos, somos dotados de desejo, essa libido que é nosso apetite, que gera, na necessidade de comida, a seleção por aquilo que nos aguça os sentidos e satisfaz este prazer.

comecei lá atrás, em pipocas, bolos de chocolate e bolachinhas de limão. era pequena, talvez, nove ou dez anos. meu avô me deu cozinha, começava cedo na função, no nascer do dia. com o mate em punho e um aventalzão jeans, escolhia o feijão cuidadosamente, escolhia e lavava também o arroz. ao mesmo tempo que fazia o almoço/jantar, fazia as saladas, e, a sobremesa, se desse tempo, um bolo, feito em uma forma especial que o assava na boca do fogão. o que realmente importa aqui é que ele o fazia com amor, justificava a carência, a falta que nós todos fazíamos na vida dele em tempo integral, oferecendo-nos banquetes. pratos decorados, arroz moldado na xícara. o vô era tudo o que alguém poderia querer como um vô.

herdei, (aqui é o meu ideal) o gosto de agregar gente, de descobrir admiradores em delicadezas à mesa. busquei, de alguma forma, dentro da culinária simples e campeira do meu avô ajudante de cozinheiro da marinha, refinamento e requinte. uni ao arroz de carreteiro, ao mocotó e aos assados, verduras exóticas, sabores estranhos, ácidos e picantes como eu, e como era o meu avô que aniversariava no dia do gaúcho. 

hoje, fiz uma torta de carne, nada de especial, carne moída, ovos, cebola. recheei-a cuidadosamente com brócolis, cenouras, champignons frescos, muçarela, e amor. para que a minha família, ao meio dia, soubesse mais uma vez, o quanto os amo, e a real importância de poder alimentá-los da forma mais limpa, honesta, saudável e gostosa possível.

cada vez que eu sirvo o almoço, que eu faço um bolo, um alfajor, um café, um suco escalafobético, eu estou “falando”, e fazendo alguém tragar uma dose de amor.

é o amor-trabalho, amor-esforço, amor-tempo, amor-paciência. é, enfim, amor. toda vez que eu cozinho, seja o que seja. risotto de funghi secchi, requentados de ontem, tudo carrega de mim, para ir aos que me rodeiam, uma dose grande de amor. porque o amor é o que falta nas pessoas. e eu cozinho por amor. acima de ser minha obrigação, a minha culinária é minha fonte de prazer, introspecção, e de dizer um “eu te amo” que pode ser mastigado e engolido.

é a forma mais humilde e sincera que eu tenho de agradecer por ter alimentos e formas de alimentar minha família, buscando um bocado de amor a cada mordida. é um trabalho que eu faço pra que os meus sempre queiram vir para casa almoçar. sempre.

 

* o verbo complacer eu trouxe do espanhol, e, neste idioma significa causar a outro prazer, satisfação, agradar.

não

três letras, e, um acento gráfico que sinaliza a nasalização 

em verdade, o não não representa nada, ele não tem nenhum efeito. nenhum. eu provo:

não pense em uma maçã vermelha.

no que tu pensaste? numa maçã vermelha? viu? o cérebro simplesmente nega o não… (nega o não foi punk, mas é o recurso que eu tenho pra escrever)

não posso, não devo, não quero, não anseio, são expressões que apenas reforçam o verbo, o não acaba perdendo seu valor. e a gente bate na mesmíssima tecla. 

quando viu, já foi, e o não sabotou a vida de novo.

 

Pero al fin, si es amor…

cruzará huracanes y tormentas….

por fin alejarme del tiempo perdido, del tiempo mal usado, de la ofensa por la ofensa.

a reponer fuerza frente al mar, a pensar y pensar en pensar.

a ver el sol que entra por el hueco, y baja llevando el dolor, mientras dibuja una serpiente emplumada.

mexico está ahí, eperándonos, de brazos abiertos,

el mar color azul verdoso, o verde azulado, turqueza o agua marina, justo para combinar con mi pelo, que se alegra por el homenaje. o al revés, que es más posible. 

ya nos veremos en el paraíso. ya está más cerca. no dormiremos, estoy segura. pero mañana, a esa misma hora, estaremos frente al mar, bendiciendo nuestras vidas, bendiciendo lo lindo que es vivir. una ode al amor, al buen vivir, sin remordimientos, sin rencores, abandonando hoy, aquí, todo lo que nos hace mal.

para que vivamos, felices.

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